Diário de Guerrilha: 31/07/2005. Frio, cerração. Todos os pinguins merecem o ceú...
Revolt - Episódio I
Trabalhei alguns meses num lugarzinho meio complicado: havia no setor uma certa máfia (gente que já havia trabalhado ou que já havia sido, digamos, comida pelo gerente); eram só mulheres na sala. A primeira impressão, porém, foi de que o ambiente era bom. Claro, não queriam assustar ninguém logo assim de cara. Nem elas nem o gerente (um calhorda na exata definição do termo).
Com o passar dos dias, as coisas foram se tornando mais claras, mais óbvias: o que eu produzia era omitido, comissões que nunca foram pagas, me pediam para realizar tarefas que fugiam das minhas atribuições (para desviar-me do objetivo final - as vendas - para depois, cobrarem-me resultados), coisas desagradáveis assim. Ao entrar mais uma funcionária no setor, o assunto (pelas costas da coitada, é claro) era "quanto tempo ela iria durar".
A gota d´agua foi quando assumi temporariamente as funções de uma das colegas, gerando assim uma revolta sem precedentes nas demais - que culminou numa reunião onde o assunto principal era a suspeita de que eu não prestava, com o devido apoio gerencial. Para completar, havia uma recomendaçãozinha velada de não ser exatamente muito ético com o cliente.
É obvio que ao perceber onde fui amarrar meu burro comecei imediatamente a procurar coisa melhor (o que não era algo muito difícil, mas realmente encontrei algo muito bom), e, ao que parece, tudo lá continua como sempre foi.
Efeito Tostines:
Toda equipe é o espelho de seu gerenciador. Se ele é hipócrita e anti-ético, a equipe assim o será. Quanto menor a qualificação de uma equipe, maior será o grau de dependência, e, consequentemente, de submissão - mesmo que a remuneração seja medíocre. Remuneração pequena, qualificação exigida diretamente proporcional, gerando meios impróprios para aumentar os ganhos...
E eu me pergunto: até quando teremos neste país empresas como estas ?
Recicle...
MARCUCCIO K. [5:53 AM]