TESTE
MARCUCCIO K. [4:30 PM]
Still alive... ?
Em 2008, voltaremos ao ar. Fique com a gente !
(Tá parecendo a Rede Manchete)
MARCUCCIO K. [7:05 PM]
PEQUENO MANUAL DE ORIENTAÇÃO AO IMIGRANTE DE CURITIBA
Caro recém-chegado, siga atentamente estas instruções. Em caso de emergência tome um Lexotan.
01- Está perdido ?
Oriente-se pelas placas (bilíngues, que chique) de sinalização - elas custaram o olho-da-cara aos contribuintes que mal falam português.
Os curitibanos tem muito orgulho de seu arrojado projeto viário e quando se deparam com um perdido procurando o Prado Velho, por exemplo, mandam o coitado pro Fazendinha - para que ele conheça (mesmo a contra-gosto) todos os rincões da cidade.
Só uma coisinha: desista de procurar nessse mapa que te deram na rodoferroviária onde fica o bairro Champagnat. Ele não existe, ok ?
02 - Onde ficar ?
Não se preocupe: Em cada quarteirão do Centro você encontra um hotel (vazio, obviamente). Em alguns casos, até três. Pechinche ao se hospedar, talvez algum hotel até pague para que você ficar.
03 - Onde comer ? E o quê ?
Numa mesa, de preferência. Você não vai comer de pé, vai ?
Ok, ok. Não deixe de conhecer Santa Felicidade e seus risotos, suas lazanhas, gnocchi, spaghetti e tutto mais. Mas esconda as balanças de sua mulher.
Não deixe de provar um delicioso cachorro-quente com duas vinas e um cúque. Eu adoro comer o cúque da minha vizinha. Com uma bela banana caturra, é claro.
04 - Como ir ?
De ônibus, claro. A cidade tem um sistema de transporte coletivo invejado pelo mundo todo - exceto nos horários de rush - quando com certeza você desejará estar num taxi com ar condicionado e sem ninguém a esmagar seu pé direito ou te espremer com sacolas. Nos dias frios, como os ônibus circulam com os vidros hermeticamente fechados, leve seu próprio clilindro de oxigênio.
E não se espante se nenhum marmanjo ceder seu lugar a idosos ou gestantes - há uma estranha e repentina espécie de autismo os impede de levantar nos ônibus lotados.
05 - O que fazer ?
Curitiba oferece diversos shoppings para você passear enquanto uns reparam nas roupas dos outros e diversas lojas populares para você comprar lembrancinhas para a sua sogra, sua tia e o cachorro do seu cunhado.
Nos mercados, não se incomode se por ventura alguém ficar olhando ostensivamente pro seu carrinho: o curitibano avalia que você é pelo o que você compra. (Quando faltar papel higiênico, recorra a um serviço de tele-entregas).
06 - Pontos Turísticos
A rua das Flores e sua famosa Boca Maldita. Onde toda a fauna urbana em sua bio-diversidade se manifesta: Desde os doidos que sem motivo aparente começam a berrar até o ciclista besuntado de sunga. Detalhe metodológico: Aqui ao caminhar ninguém desvia.
Se alguém vem em sua direção, a inércia fará que ele permaneça em rota de colisão, esperando que os demais desviem.
No Parque Barigüi você comprovará que toda Lei de Física pode ser contrariada, pois dois corpos podem ocupar o mesmo lugar no espaço aos domingos.
No Jardim Botânico você poderá sentir a maresia mesmo estando a milhas do litoral mais próximo.
Já nos bairros o máximo em diverão e entretenimento consiste em lavar o carro com aquelas caixas de som enormes pra fora do porta-malas, no último volume, enchendo o saco de toda vizinhança num raio de 5 Km com um tush-tush de torrar o saco.
Até às duas da madrugada.
Aproveitem este guia e boa estada em Curitiba.
(Eu ajo igualzinho a todo mundo daqui)*
*Marcos Caiafa não nasceu em Curitiba, já morou num monte de lugar e não troca isso aqui por nada.
MARCUCCIO K. [8:41 PM]
staying alive...
MARCUCCIO K. [9:53 PM]
2006...
MARCUCCIO K. [4:38 AM]
Diário de Guerrilha: 26/10/2005. Quase uma piada dizer que tenho um blog...
Uma cidade tão linda tem uma faceta da alma muito feia:
A Velha Fascista
As pessoas não desviam; esbarram em você nas ruas.
Nos ônibus, olhos a reparar, medir, ora sizudos, ora veladamente sarcásticos.
Nos corredores dos prédios, os vizinhos que não se cumprimentam, se evitam.
Os colegas de trabalho ou de classe que passam por você de carro, e não oferecem carona.
Os currículuns de afro-descendentes que discretamente são jogados no lixo minutos após serem entregues.
A compulsão em saber o sobrenome de todos.
Os comentários de que "gente de fora" não presta.
Os burguesinhos com o carro do pai cometendo delitos impunes no trânsito.
As meninas com roupas de grife e ar blasé desfilando na Batel.
Carros da frota estadual usados para pescarias.
Casas imensas de políticos, com cercas e vigias, para impedir os cem anos de perdão.
Querem saber tudo sobre você, mas deles, não se conta nada.
As calçadas de pedras irregulares que não gostam de carrinhos de bebês, velhos e deficientes.
As ameaças contra homossexuais afixadas nos muros.
Mal-encarados anabolizados de cabelo curto e roupa preta.
Cidade Fascista.
Na contra-mão da globalização.
Retrovisores voltados ao passado.
Cheiro de mofo e podre.
MARCUCCIO K. [4:01 AM]
Diário de Guerrilha: 31/07/2005. Frio, cerração. Todos os pinguins merecem o ceú...
Revolt - Episódio I
Trabalhei alguns meses num lugarzinho meio complicado: havia no setor uma certa máfia (gente que já havia trabalhado ou que já havia sido, digamos, comida pelo gerente); eram só mulheres na sala. A primeira impressão, porém, foi de que o ambiente era bom. Claro, não queriam assustar ninguém logo assim de cara. Nem elas nem o gerente (um calhorda na exata definição do termo).
Com o passar dos dias, as coisas foram se tornando mais claras, mais óbvias: o que eu produzia era omitido, comissões que nunca foram pagas, me pediam para realizar tarefas que fugiam das minhas atribuições (para desviar-me do objetivo final - as vendas - para depois, cobrarem-me resultados), coisas desagradáveis assim. Ao entrar mais uma funcionária no setor, o assunto (pelas costas da coitada, é claro) era "quanto tempo ela iria durar".
A gota d´agua foi quando assumi temporariamente as funções de uma das colegas, gerando assim uma revolta sem precedentes nas demais - que culminou numa reunião onde o assunto principal era a suspeita de que eu não prestava, com o devido apoio gerencial. Para completar, havia uma recomendaçãozinha velada de não ser exatamente muito ético com o cliente.
É obvio que ao perceber onde fui amarrar meu burro comecei imediatamente a procurar coisa melhor (o que não era algo muito difícil, mas realmente encontrei algo muito bom), e, ao que parece, tudo lá continua como sempre foi.
Efeito Tostines:
Toda equipe é o espelho de seu gerenciador. Se ele é hipócrita e anti-ético, a equipe assim o será. Quanto menor a qualificação de uma equipe, maior será o grau de dependência, e, consequentemente, de submissão - mesmo que a remuneração seja medíocre. Remuneração pequena, qualificação exigida diretamente proporcional, gerando meios impróprios para aumentar os ganhos...
E eu me pergunto: até quando teremos neste país empresas como estas ?
Recicle...
MARCUCCIO K. [5:53 AM]
Diário de Guerrilha: 26/06/2005. Mudei a cara do template; há menos vermelho e mais verde. Resolví "homenagear" alguns brothers in arms - guerrilheiros - cada qual com sua paixão.
Da esquerda pra direita (sem a menor conotação política, por favor...), vemos:
O eterno Genéral Charles de Gaulle, mentor da Resistência Francesa;
O ícone Che Guevara - a própria definição do termo guerrilheiro;
Santa Joana D´Arc, a menina que um dia enfrentou exércitos para libertar seu povo;
O Primeiro Grupo de Caça da FAB e seu simpático mascote, o avestruz Senta a Púa;
Os Templários, soldados-sacerdotes;
O Col. Gail Halvorsen, um dos heróis da USAF em pleno vôo com seu C-54 Candy Bomber durante a Ponte Aérea de Berlim;
Os Bersaglieri, tropa de elite do exército italiano;
Os Soldados Constitucionalistas de São Paulo, na Revolução de 32;
Tatanka-Iyotanka, o legendário chefe Sioux;
A Rosa Branca de Stalingrado, a aviadora russa Lidja Wladimirowna Litwjak;
O meu amigo Major Lourival - representando todos os combatentes da FEB;
Bento Gonçalves, presidente e estrategista da República de Piratini;
Yonathan Netanyahu, e todos os guerreiros das heróicas forças armadas israelenses;
Os Capitães de Abril do exército de Portugal, que lutaram pela democracia.
Infelizmente não há espaço para todos os meus heróis. Que com certeza não morreram de overdose.
MARCUCCIO K. [1:18 AM]
Diário de Guerrilha: 04/04/2005. A chuva que caiu ontem na mais polonesa cidade brasileira foi um pranto metafórico ?
Réquiem a Joannes Paulus II
Vasco X Fluminense, Maracanã lotado, década de 80. Pênalti a ser batido pelo tricolor.
Nos angustiantes momentos que antecedem a cobrança, a torcida do Fluminense começa a entoar um refrão cantado por toda a nação, há pouco tempo atrás: "A bençâo, João de Deus... A benção, João de Deus..."
Não posso afirmar se houve qualquer intervenção divina a favor dos tricolores (apesar do Vasco usar a Cruz da Ordem de Cristo em seu uniforme), mas o Fluminense venceu...
Esse João de Deus (que foi goleiro e torcedor do Cracowia) cantado no templo pagão do futebol foi um dos maiores persongens da história contemporânea.
Orfão de mãe ainda criança, viu sua Polônia ser arrasada e ocupada pelo horror nazista, foi prisioneiro em um campo de trabalhos forçados. Perde o pai. Decide abraçar o sacerdócio - mas todos os seminários foram fechados pelos invasores alemães... É acolhido de forma clandestina pelos religiosos sobreviventes, onde ao final da guerra é ordenado padre.
Com a libertação da Polônia pelo Exército Vermelho, vê-se diante de um paradoxo sarcástico e cruel: os soviéticos não vieram exatamente libertar a Polônia - e começa um novo ciclo de provações aos poloneses. O país é transformado num satélite soviético (comunista e ateu), e as liberdades individuais são quase extintas.
Torna-se Cardeal. E numa ousadia de destino, Papa.
Nos anos 80, o auge da Guerra Fria. João Paulo II visita a Polônia em pleno estado de sítio. O Solidarność, de Lech Walesa, torna-se o ícone das aspirações de liberdade. Apesar das ameaças de ocupação, a URSS não repete a "Primavera de Praga".
Aos poucos, João Paulo II conseguirá realizar tudo o que complexo militar americano fracassou: Desmantelar a União Soviética, desembarcar em Cuba e fazer de Arafat um aliado. Sem armas, aliás, com a melhor delas: com palavras.
Tamanha ousadia custou-lhe um atentado encomendado pela KGB, que quase lhe tira a vida.
Este Papa, esportista, poliglota, estadista, tinha seus defeitos - acusado de retrógrado, pois muitos esperavam uma postura mais progressista da Igreja - mas soube superar seus críticos visitando diversas nações no mundo, já doente, num ato de superação e sacrifício; promover boas relações com outras religiões (judeus, ortodoxos e islâmicos); condenar as guerras e finalmente ser aclamado como o maior dos Papas pelos católicos.
No Brasil, em sua primeira visita, testemunhou a miséria do povo e a opressão do regime militar.
Em sua segunda visita, nosso país retomava (embora que por vias tortas, com Collor) o caminho democrático...
O Bosque que leva seu nome em Curitiba, além de representar a imigração polonesa no Paraná, foi palco de uma série de aparições de Nossa Senhora na década de 80. Com a revelação o terceiro segredo de Fátima, tais aparições sugerem hoje todo o tipo de especulação.
De João Paulo II, que ví passar ligeiro no Eixão de Brasília a bordo de seu indefectível papamóvel ainda garoto, guardo o exemplo de um grande homem, que mudou o mundo. Para sempre.
Karol Wojtyla, futuro São João Paulo II
MARCUCCIO K. [5:33 AM]
Diário de Guerrilha: 04/02/2005. Eis aí, cara Tati, o post sobre o filme francês Irréversible.
Não sou fatalista, mas o tempo destrói muitas coisas, sim. Ainda bem...
O Tempo destrói tudo (?)
Meu lugar favorito em Floripa não era Jurerê, nem a Lagoa, muito menos a Joaca. Nunca fui um animal marinho, e além disso, meu bronze Lestat denuncia meu lado transilvânico.
Poizé, meu lugar favorito em Floripa era o CIC - Centro Integrado de Cultura.
Teatro (o maior de FLN), cinema (exclusivamente filmes do circuito alternativo ou cults), espaço para vernisages e o melhor barzinho da ilha, o Matisse (nem em Paris há um lugar como esse, pelo ambiente, e pelo ecletismo das bandas).
Certo dia, vejo no mural da programação: "Não perca o pesado e polêmico filme Irréversible". Duas palavrinhas que me cheiraram à armação de marketing, "pesado e polêmico". Lendo mais atentamente, duas matérias, traduzidas do Libération e do Le Monde advertem os expectadores que é uma obra "corrosiva, de certo mau gosto e de forte violência" (na verdade, os termos podem não ser bem esses, mas o resumo da ópera é por aí). Li as matérias, e apesar de saber que há uma longa e revoltante cena de estupro, me interessei em assisti-lo.
Passado quase um ano, assisti sim. Em casa, no DVD. Em Curitiba - eu perdi a exibição no CIC, e acabei voltando a morar na capital do Paraná.
Irréversible é muito mais revolucionário e crítico do que pesado e polêmico - com seu ar underground, do qual não consigo desassociar das obras do mestre Nélson Rodrigues, Plínio Marcos e Dalton Trevisan; a violência nua e crua, nos bas-fonds de Paris, entre muita droga, gays, prostitutas e travestis. Dentro de uma ótica européia, evidentemente, do controvertido (e criativo) diretor Gaspar Noé. Nada do tom mondo cane (hipócrita e pseudo-jornalístico) de um Aqui Agora ou Cidade Alerta - onde homicídios, fratricídios, genocídios e suicídios não nos chocam mais, por estarem (infelizmente) tão presentes em nossa sociedade.
A montagem não convencional de Irréversible é outro ponto de destaque. Não segue a linha normal de enquadramento, a câmera oscila, gira, desce para entrar na cena. Diálogos crus, degradação social, temática neurótica-urbana - tudo isso faz deste filme uma versão punk-hardcore da Vida Como Ela É (ou uma Laranja Mecânica pré-apocalipse). No final, um "quê" de 2001, Uma Odisséia no Espaço (há uma quase imperceptível referência, num poster do filme, antes de se abrir a tomada final).
Os atores parecem não ter ensaiado suas cenas e falas; há uma naturalidade, um descompromisso com a estética e a decência.
Monica Bellucci não faz de sua beleza um mero atrativo. Seu personagem é o ponto chave do roteiro.
Nos créditos, uma referência ao concretismo russo (que muito admiro). A trilha sonora é agressiva, pulsante, hipnótica.
No enredo, o fatalismo é quase um personagem, é presente.
Como um conselho dado por alguém antes de se atravessar a rua: "use a passarela subterrânea, é mais segura".
É irreversível: assistir este filme nos faz questionar esse mundo que vivemos e a droga na qual ele está se transformando.
Por nossa culpa, nossa máxima culpa.

MARCUCCIO K. [1:17 PM]
Diário de Guerrilha: 01/01/2005. Sim, dia de Ano Novo. E eis-me aquí, em pleno trabalho. Pelo bem do turismo e hotelaria brasileiros...
Dia de Ano Novo
O sono só foi bater mesmo lá pelas três.
O despertador me arranca de um sonho meio esquisito às sete da manhã.
No "automático", me visto, escovo os dentes, me mando.
No elevador percebo que os meus sapatos precisam urgentemente de graxa.
E eu, de mais horas de sono.
Minha cara grita isso.
Cumprimento o porteiro, olho para o céu. Cinza, mas isso é default. Daqui a algumas horas estará azul.
Entro no carro.
Músicas velhas no rádio - aquelas baladinhas comerciais pop insuportáveis.
DJ em ressaca e seus cartuchos com sucessos datados.
Ninguém na rua. Ninguém mesmo.
Na Martin Afonso. Na Padre Agostinho.
Tive a impressão de ver um mendigo na esquina com a Desembargador Motta - mas foi só impressão.
Doutor Muricy; desvio de um cachorro no meio da pista.
Um cachorro bege, parecia um Labrador.
O cachorro não se moveu.
Esquina com a XV: Um pombo, num rasante, sobrevoa o meu carro e desaparece rumo à Tiradentes.
Esquina com a Marechal Deodoro: Ví um ônibus.
Aqueles tradicionais, amarelos.
Passo a Carlos Gomes, dobro na André de Barros.
Bancas de jornais fechadas.
A Gazeta do Povo não circulará hoje.
Nem o Bar do Alemão abrirá, muito menos as lojas do Mueller.
Entro na Barão do Rio Branco e paro o carro.
Desço, entro no hotel.
E começa um dia de trabalho.
Post em homenagem à Dalton Trevisan.
MARCUCCIO K. [4:16 PM]
Diário de Guerrilha: 22/11/2004. Ao amigo Rodrigo: Você pode até não acreditar, mas escreví este texto em 10 minutos, durante minha pausa para almoço, em pleno trabalho... Cometí uma gafe, sim - mas já a corrigí: Sou um orgulhoso colaborador da sua página, amigo !
Ok, Renan (www.motorblog.rg3.net): Piquet é tri...
Dedico este post ao Rodrigo, à turma da Dana (obrigado pelo material) e à todas as "viúvas"
Minha bicicleta era amarela...
No quadro desta bicicleta, havia a figura de um pássaro, com asas multicoloridas (que recortava de uma 4 Rodas qualquer).
O número, este era mudado, a cada ano: 30, 28, 14... com durex.
O emblema na frente do guidom, era de plástico. Recorte de uma embalagem de álcool.
Quem tem mais de 30 anos, sabe o que estou falando (na verdade, escrevendo).
Antes de Senna se tornar nosso herói e mártir nas pistas, antes de Piquet ganhar seus três títulos mundiais e antes de toda essa moçada que a cada ano é rotulada de "nossa nova esperança na Fórmula 1", havia um piloto cujo sobrenome virou sinônimo de velocidade. Ele dominou o automobilismo nacional, projetando-se na antiga "Fórmula V", e foi tentar a sorte na Europa. Sem saber, este paulista, honrando suas origens, estava na verdade sendo um bandeirante - abrindo as portas (e os corações) de nosso país ao automobilismo - Fórmula Ford, Fórmula 2. Fórmula 1. Lotus. O famoso e lindo modelo 72, primeiro carro "moderno" da F1, o primeiro a usar as cores de patrocinador (Gold Leaf).
A primeira vitória - GP dos EUA, 1970. Depois, um ano amargando os reveses de um projeto revolucionário mas mal-concebido: o Lotus-Turbina. Em 72, a glória: ao volante da Lotus negra e dourada (talvez o mais belo de todos os carros de competição), o primeiro título mundial.
Vice em 73. Campeão novamente em 74, desta vez pela McLaren - provando que não dependia de Collin Chapman nem da Lotus. Em 75, deixa a McLaren para dedicar-se a um sonho.
Este sonho se chamava Copersucar-Fittipaldi. O primeiro F1 brasileiro.
Este piloto é Emerson Fittipaldi. Um brasileiro.
O projeto de uma equipe de F1 nacional nasceu de uma conversa com seu irmão Wilson, e em 74 o primeiro modelo estava concluído: o FD-01. Inovador, todo carenado, com o coeficiente de penetração aerodinâmica muito baixo. Algumas das soluções do FD-01 foram copiadas por várias equipes, mas o carro não era competitivo.
O FD-02 e o FD-03 foram pilotados por Wilsinho até 75, quando Emerson assume o cockpit. O FD-04, outro projeto de linhas elegantes, mostrou evolução sob a pilotagem de Emerson - mas o país criticava a ousadia dos Fittipaldi em disputar com um carro brasileiro a mais importante categoria do automobilismo mundial.
As críticas vão aos poucos tornando-se piadas. Apesar dos bons resultados em 76 e 77, não consegue atrair a torcida (nem parte da imprensa da época).
O que pouca gente sabe é que parte deste insucesso nas pistas devia-se à "mafia inglesa". Os motores na época (exceto a Ferrari, a Ligier, BRM e Renault) eram fornecidos pela Cosworth (subsidiária da Ford inglesa) - que, num ato de "patriotismo", fornecia os melhores motores às escuderias inglesas (será que era $ó patrioti$mo ? acho que não).
Em 78, o melhor momento: segundo lugar no Gp Brasil. Os descrentes, para não serem discriminados, começaram a elogiar a Copersucar-Fittipaldi. Nesta temporada, a equipe deixou para trás McLaren, Willians, Renault... mas o Brasil queria mais. Em 79, a vez do F6. Outro carro lindo, revolucionário. Mas problemático e de projeto caríssimo, fez o patrocinador desistir da equipe. Os Fittipaldi não desanimam e compram a Wolf (uma equipe que também desafiou as grandes) e passaram a contar com o apoio (financeiramente menor) da Skol brasileira. Keke Rosberg, que seria campeão em 82, era o segundo piloto da equipe. Mais alguns bons resultados, mas em 81 Emerson deixa o volante e torna-se chefe de equipe. Mesmo com Chico Serra (talentoso e arrojado), a equipe entra em decadência - por falta de interesse dos patrocinadores e da falta de apoio do governo militar - até encerrar suas atividades, em 1982.
Sou uma das "viúvas" da Fittipaldi. E não sou "a única". Meu amigo (pela internet) Rodrigo criou o site
WWW.Paixão pelo Copersucar.com.br
para eternizar o sonho dos Fittipaldi (no qual orgulhosamente estou citado como "colaborador") - sonho este revivido na iniciativa de uma fabricante de peças (não precisa ser médium pra saber que é a Dana) que restaurou não só o FD-01, mas parte da história do automobilismo brasileiro.
A minha bicicleta era amarela por causa do Copersucar...

MARCUCCIO K. [1:27 PM]
Diário de Guerrilha: 22/09/2004. Após MAIS um quase-obsceno vácuo literário de três meses, volto à este blog. Sumí de novo...
O Bom Filho...
Apesar de ser um animal essencialmente urbano, sempre execrei o stress decorrente de se viver numa megalópolis...
Tráfego lento, poluição sufocante, a conseqüente criminalidade... males do nosso tempo.
Nascí em São Paulo. Na Pró-Matre Paulista, para ser mais preciso. Onde, quase exatos 10 anos depois, nasceu também meu irmão.
Lembranças:
A Feira da Bondade, e os domingos, no Ibirapuera;
Salão da Criança, Salão do Automóvel, Salão do não-sei-o-quê - no Anhembí;
O Timaço do Palmeiras (Leão, Ademir da Ghia e Cia. Ltda.)
O Supermercado Yaohan, palco máximo do meu inocente consumismo - era imenso, tinha restaurantes (Shabu-Shabu, e um na sobreloja), um lustre gigante sobre as escadarias, e, principalmente, uma loja de modelismo (Aerobrás, acho) e um playgrond na cobertura (com um foguete como escorregador). Meu Deus, que saudade. (Mas depois crescí e virei comuna).
As viagens para Serra Negra, Poços de Caldas, Lindóia...
As escolas - que quase todas fecharam - Machado de Assis, Vagalume, Liceu Eduardo Prado;
Os shoppings Ibirapuera, Iguatemi, Continental;
Ficar vendo Elektras, 737 e 727 decolarem e pousarem em Congonhas. Programa de índio, né ?
Tudo isso foi devidamente enterrado quando me mudei pra Brasília, com meus pais. Diante da amplitude de espaço, a possibilidade de fazer tudo o que não poderia fazer na neurótica São Paulo que me obrigava a viver "atrás das grades", me fez crer que eu jamais seria um paulista de novo. Ok, guardei minha bandeira de treze listras que meu avô deixou (lembrança da Revolução de 32), continuei palmeirense (na verdade, palestrino) e voltamos várias vezes depois, em viagens. E a cada uma delas, meu amor por Brasília aumentava - assim como meu desprezo por São Paulo.
Depois de Brasília, rodei o mundo, e numa destas armadilhas do destino, me vejo na poltrona 29 do Golden Service da Itapemirim. Após seis longas horas que minaram toda a energia das pilhas do meu walkman, me vejo no Itaim.
Revejo a avenida Indianópolis, Moema, o Ibirapuera...
Em meio ao stress (este, não mudou), a efervecente vida cultural, a arquitetura moderna de seus edifícios (e são muitos...).
O coração bateu mais forte. Por estes e muitos outros motivos.
Não importa se sou candango, curitibano, italiano, ou seja lá mais o quê.
Este foi o meu berço. E se ficou "esquecido num sótão qualquer da minha cabeça", sempre ficou lá.
Ou melhor, aquí, num compartimento secreto do meu coração.

MARCUCCIO K. [6:40 PM]
Diário de Guerrilha: 30/06/2004. Após um quase-obsceno vácuo literário de três meses, volto à este blog. Por puro stress e falta absoluta de tempo, abandonei esta tribuna... (mas se eu sumir de novo, não se espantem).
O Cavalinho Branco nr. 145. (Ou: Cinema, vícios e convicções políticas).
O "filme da minha vida" é "Um Homem e Uma Mulher", do Lelouch. Já escreví isso alguns posts atrás. Meu pai tinha o LP com a trilha sonora, cuja capa contém carros de competição - e eu já era fanático por automobilismo. Se o futebol nunca me seduziu totalmente, a F-1 foi paixão à primeira vista. Infelizmente, o automobilismo é um esporte meio caro, e eu nunca pude contar com um bom patrocínio (ou PAItrocínio), embora tenha disputado algumas provas como piloto de rally, na condição de amador.
Mais grandinho, e namorando uma francesa, assistí a esse filme quase sem querer, num Corujão qualquer.
Parei. Olhei. Pirei.
É poesia pura.
A homenagem à cultura brasileira, num "clip" com o "Samba-Saravá" do Vinícius cantado em francês (?!);
as cenas em sépia, branco e preto;
o garotinho que interpreta o filho do protagonista (e minha mãe jura que sou eu);
a inesquecível cena na pista oval de Montlhéry, onde um monoposto Ford, um GT-40 e um Mustang fazem tomadas de tempo...
a trilha sonora, obra-prima de Francis Lai...
a sequência no Rally de Monte Carlo (já me barbeei enquanto dirigia);
a cena da praia...
o final aberto...
Poizé...
Por tudo isso e pelos prêmios que conquistou, A Palma de Ouro de Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, eu amo esse filme - que teve uma sequência, não tão feliz, "20 Ans Déjà" (Vinte Anos Depois).
Trintignant, o protagonista, foi realmente piloto de provas (disputou alguns rallies na Europa). Anouk Aimeé, a linda atriz francesa, além do charme, consegue manter seu ar blasé durante todo o filme.
A Ford francesa inaugurou, sem querer, o merchandising nos filmes de arte, ao patrocinar esta produção - o que se conta nos bastidores é que o produtor não dispunha de um orçamento elevado... e algumas cenas tiveram de ser rodadas em sépia ou branco e preto (os negativos Eastmancolor era muito caro). Mais uma lenda sobre este filme: alguns diálogos foram mero improviso - sobretudo na cena do restaurante em Deauville.
E meu sonho de consumo é um dia ter um Mustang Coupé Branco 1966. Também sou filho de Deus, e apesar de minhas antigas convicções políticas, ex-comunistas também têm sonhos de consumo (e hábitos capitalistas, como fumar. Eu fumava vorazmente os reforçados Gitanes - os mesmos que Trintignant fumava - o que é a propaganda...)
Ainda bem que Marx já morreu e o Muro, caiu.
E eu, que não sou trouxa, deixei de fumar. Há dez anos...
(Mas gostar do Mustang, esse vício, não consigo largar).

MARCUCCIO K. [5:14 PM]
Diário de Guerrilha: 15/03/2004. Um post dedicado à cidade que me encantou quando a conhecí; que tanto odiei quando fui obrigado a deixar Brasília e mudar-me; e que, anos depois, em Florianópolis, jamais deixei de amar. O amor é assim mesmo (a gente só sente a devida falta à distância)...
Em Curitiba
Crepúsculo; lojas começam a fechar.
Garoa fina, frio: típicos e docemente familiares.
Caminhar na Rua XV, à noite, é algo único.
Rodinhas de estudantes, cheiro de quentão no ar.
O rapaz tenta me vender a Gazeta de domingo.
O Vampiro de Dalton Trevisan espreita a cada rua escura...
Uma certa postura européia num país mestiço e tropical. As pessoas são sérias, sizudas. Talvez pelo frio, talvez pelo sangue. Talvez pela predisposição ao trabalho.
Reminiscências de um passado não muito distante: Casa do Ingresso, saída do Positivo da Vicente Machado, Muricy, Garcez, HM, Bamerindus, Prosdóscimo, Disapel (a mais simpática), Estação Primeira FM, Shelby, Bavarium Park. FORVM...
Bar do Alemão, Largo da Ordem, amores (e alguns inevitáveis foras). Centro Cívico: a Brasília Virtual que me confortava quando a saudade batia...
Barigui, Bosque do Papa, São Lourenço. O verde da tua bandeira está bem representado...
Teus palcos: Guaíra, Paiol, Ópera de Arame. Couto Pereira. Meu Coritiba, meu alvi-verde de tantas glórias, a maior delas vivida numa fria noite de 1985. O eterno rival Atlético, o rubro-negro da Baixada. Um adversário de respeito. O que seria um sem o outro ? É bonito ver a cidade se alternar em vestir-se das cores de seus clubes a cada triunfo (afinal, como na vida, às vezes se está por cima, noutras, por baixo). Mas prefiro ver Curitiba ostentar as cores que representam a Paz e a Esperança, ao invés das que lembram o sangue e o luto... (Marcelo Gusso, meu grande amigo, me desculpe...)
Sabe, Curitiba, você é como uma mulher linda, culta e ingrata.
Não faz nenhum esforço para que gostem de ti, mas isso é impossível de não ocorrer.
O gostar, virou amor...
Desse nosso amor, nasceu uma menina - minha filha. Curitibana, com orgulho.
Curitiba, longe de ti, sofro por tua falta.
Contigo, sob esse céu onipresentemente cinza e melancólico, posso dizer que sou feliz.

MARCUCCIO K. [12:05 PM]